Perdão: A Libertação Que Você Dá a Si Mesmo

Descubra o equívoco comum sobre o perdão e como perdoar é, na verdade, um presente que você dá a si mesmo. Aprenda a libertar-se do passado e a viver sem rancor, mágoa ou ressentimento.

Giovani Campregher

8/15/20263 min read

Existe um equívoco muito comum sobre o perdão. As pessoas acreditam que perdoar é um presente que você dá para quem te machucou. Não é. Perdoar é um presente que você dá a si mesmo.

Quando guardamos rancor, mágoa ou ressentimento, somos nós que carregamos esse peso não a pessoa que nos feriu. Ela segue a vida. E nós ficamos presos naquele momento, naquele episódio, naquela dor, gastando energia mental e emocional com algo que já passou. O perdão não é sobre o outro. Nunca foi. É sobre nos libertar.

A neurociência é muito clara sobre isso. Guardar rancor mantém o cérebro num estado de proces-samento constante como um programa rodando em segundo plano que consome memória, gera hormônios de estresse e ocupa recursos que poderiam ser usados para criar, resolver problemas ou simplesmente aproveitar a vida. Cada mágoa não resolvida é energia mental desperdiçada.

Pesquisas publicadas nos Frontiers in Human Neuroscience mostram que o perdão está diretamente associado à melhora da saúde cardiovascular, à redução do cortisol, à melhora do sono e ao bem-estar emocional. Estudos mostram que o não perdão, ou o rancor sustentado, está associado a níveis elevados de cortisol, pressão arterial mais alta, função imunológica prejudicada e maior reatividade cardiovascular. Em outras palavras, guardar mágoa adoece. Perdoar cura.

E o perdão começa com uma decisão não com um sentimento. Você não precisa sentir vontade de perdoar para decidir perdoar. O psicólogo Robert Enright, da Universidade de Wisconsin-Madison, que passou mais de 30 anos estudando o perdão, mostra que ele é um processo e que começa com uma escolha consciente de liberar o ressentimento, independente do que a outra pessoa fez ou se arrependeu.

No dia a dia, isso aparece em situações que todos nós conhecemos. Um pai que abandonou. Uma mãe que feriu. Um relacionamento que terminou com traição. Um amigo que decepcionou. A tendência natural é guardar, proteger, não se expor de novo, manter a mágoa como escudo. Mas esse escudo tem um custo alto: ele nos protege do outro e ao mesmo tempo nos aprisiona dentro da dor.

Existe algo muito poderoso que acontece quando entendemos que as pessoas que nos machucaram também carregam suas próprias histórias. Que um pai ausente muitas vezes foi filho de um pai ausente. Que uma mãe que feriu também foi ferida. Que as pessoas fazem o melhor que conseguem com o nível de consciência que têm no momento. Isso não justifica o que fizeram. Mas ressignifica. E quando ressignifica-mos, quando damos um novo significado ao que vivemos o peso muda.

Você pode perdoar uma traição e agradecer, porque Deus te mostrou que aquela pessoa não era certa para você. Você pode perdoar um abandono e entender que aquilo abriu espaço para algo melhor. Você pode perdoar sem reconciliar, porque perdão não significa voltar. Significa se libertar.

Como começar a praticar o perdão agora? Primeiro, reconheça a dor, não finja que não existe, não a minimize. Ela é real. Segundo, tome a decisão consciente de liberar, não por quem te feriu, mas por você. Terceiro, ressignifique, pergunte a si mesmo o que aquela experiência te ensinou, o que ela abriu, o que ela revelou. E quarto, se for algo profundo, considere uma oração guiada, uma conversa, um processo terapêutico. Porque alguns perdões precisam de mais tempo e mais suporte e tudo bem.

Perdão não é fraqueza. É um dos atos mais corajosos e inteligentes que existem. Porque exige que você coloque o seu bem-estar acima da sua necessidade de ter razão.

Perdoe. Não pela pessoa. Por você.

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