Superar o Medo para o Desenvolvimento Pessoal e Profissional
Descubra como evitar que o medo impeça seu desenvolvimento pessoal e profissional. Aprenda estratégias eficazes para superar o medo e alcançar seus objetivos com confiança.
Giovani Campregher
7/21/20263 min read


Medo: O Que Nos Mantém Vivos e O Que Nos Mantém Presos
O medo tem uma função essencial. Sem ele, nós simplesmente não estaríamos aqui.
É o medo que nos impede de acelerar o carro a 250 km/h numa estrada movimentada achando que nada vai acontecer. É ele que nos faz olhar dos dois lados antes de atravessar a rua. É ele que nos mantém alertas diante de situações realmente perigosas. O medo, nesse sentido, não é fraqueza e sim inteligência do nosso organismo funcionando exatamente como deveria.
A neurociência explica bem isso. O medo está gravado em quase todos os seres vivos devido ao seu papel vital na sobrevivência, e os pesquisadores descobriram que ele é processado de forma inconsciente, com a amígdala sendo a principal estrutura envolvida nesse processo. A amígdala é uma pequena região do cérebro que funciona como um sistema de alarme, ela processa o que vemos e ouvimos e aprende o que representa perigo. Quando encontramos algo semelhante no futuro, a amígdala nos faz sentir medo para nos proteger.
Ou seja, o medo existe por um motivo muito bom. O problema não é ter medo. O problema é quando o medo passa a nos controlar em situações onde ele não deveria existir.
Um bom exemplo é o medo de avião. É um dos mais comuns que existem. Mas a estatística é clara: é muito mais fácil ser atropelado na calçada do que morrer em um acidente aéreo. E mesmo assim, tem gente que abre mão de viagens incríveis, de experiências que poderiam mudar sua vida, por causa de um medo que não tem correspondência com a realidade. O medo virou prisão.
E é exatamente aí que está o ponto. Quando o medo nos protege de um perigo real, ele é aliado. Quando o medo nos impede de viver, ele virou inimigo. Uma pesquisa da Universidade de Penn State acompanhou pessoas ao longo de 30 dias pedindo que registrassem todos os seus medos e preocupações. O resultado é impressionante: 91% dos medos registrados simplesmente não se concretizaram. Quase tudo aquilo que nos tirou o sono, que nos travou, que nos impediu de agir, nunca aconteceu. E nos casos em que algo realmente aconteceu, as pessoas lidaram com a situação muito melhor do que imaginavam que conseguiriam.
Ou seja, a maior parte do medo que sentimos não é sobre algo real. É sobre algo que construímos na nossa cabeça. O cérebro, como falamos quando conversamos sobre neuroplasticidade, não distingue muito bem o que é real do que é imaginado quando a experiência é vívida. Então quando ficamos ruminando um cenário de catástrofe, o cérebro começa a tratar aquilo como uma ameaça real e libera as mesmas respostas de estresse que liberaria diante de um perigo concreto. Nos tornamos reféns de algo que não existe.
No dia a dia, isso aparece de formas que muitas vezes nem reconhecemos como medo. O medo de arriscar uma mudança de carreira. O medo de iniciar uma conversa difícil. O medo de se expor, de errar, de ser julgado. O medo do que as pessoas vão pensar. Todos esses medos têm uma coisa em comum: eles nos travam antes que qualquer coisa ruim de fato aconteça.
Como começar a trabalhar isso agora? A primeira pergunta que vale se fazer diante de qualquer medo é: isso está acontecendo agora, ou estou imaginando um futuro que ainda não existe? Se a resposta for a segunda opção, o próximo passo é simples, agir mesmo assim. Não esperar o medo ir embora para agir. Agir com o medo presente, porque é exatamente nisso que está a coragem. Coragem não é ausência de medo. É a decisão de não deixar que ele decida por nós. O medo saudável nos mantém vivos. O medo em excesso nos mantém parados. E uma vida parada, por medo de algo que provavelmente nunca vai acontecer, é um preço alto demais para pagar.
