Identidade: Como Ela Se Forma na Infância e Como Podemos Mudá-la

Descubra como a formação da identidade começa na infância e sua importância na vida adulta. Entenda de onde vem a sua identidade e como ela pode ser transformada ao longo do tempo.

Giovani Campregher

8/28/20263 min read

Já vimos que identidade (https://www.xn--emoaoerazao-o9a.com.br/identidade-quem-voce-e-quando-ninguem-esta-vendo) é quem você é quando ninguém está olhando. Agora vamos entender de onde ela realmente vem e por que é possível mudá-la, mesmo depois de adulto.

A ciência mostra que a formação da identidade começa muito antes do que imaginamos. Estudos longitudinais que acompanharam famílias ao longo de mais de duas décadas desde a infância dos filhos até a vida adulta identificaram um período especialmente sensível para essa formação: entre os primeiros anos de vida e por volta dos 9 aos 12 anos de idade. Pesquisadores descrevem essa fase como um momento de intensa impressionabilidade, no qual a criança está literalmente descobrindo quem é e experiências marcantes vividas nesse período deixam marcas reais no desenvolvimento emocional e no funcionamento cerebral que se estendem até a vida adulta.

Quando uma criança, nessa janela de desenvolvimento, vivencia abandono, infidelidade dentro da família, instabilidade financeira ou qualquer forma de ruptura emocional significativa, ela não apenas registra esses eventos como memórias ela constrói, a partir deles, crenças sobre o que é normal, o que é amor, o que é segurança e o que ela mesma merece. Pesquisas mostram que crianças que vivenciam experiências adversas nessa fase tendem a carregar esses padrões de comportamento e de vínculo para a vida adulta, muitas vezes repetindo, sem perceber, o mesmo ciclo emocional que vivenciaram em casa.

É exatamente por isso que o papel dos pais é tão determinante, a qualidade do vínculo formado nos primeiros anos de vida está diretamente relacionada ao desenvolvimento emocional saudável da criança incluindo, segundo pesquisas de neuroimagem, até mesmo diferenças mensuráveis na estrutura cerebral relacionada à regulação emocional. Criar um ambiente de segurança, presença e estabilidade nesses anos fundamentais é um dos maiores presentes que um pai ou uma mãe pode oferecer para a identidade que aquela criança vai carregar para o resto da vida.

Mas existe uma notícia poderosa nisso tudo: a identidade formada na infância não é uma sentença definitiva. Ela pode ser reconstruída na vida adulta através de um processo consciente de consciência, perdão e nova repetição.

O primeiro passo é a consciência: perceber que certos comportamentos ou crenças que você carrega não nasceram com você foram absorvidos do ambiente em que cresceu. Se você presenciou infidelidade dentro de casa e, sem perceber, também normalizou esse comportamento na vida adulta, o primeiro passo é reconhecer: isso não é quem eu quero ser. Isso foi apenas o que aprendi a considerar normal.

O segundo passo é o perdão genuíno como já vimos em outro artigo (https://www.xn--emoaoerazao-o9a.com.br/perdao-a-libertacao-que-voce-da-a-si-mesmo), o perdão liberta quem perdoa. Perdoar não significa concordar com o que aconteceu ou apagar a dor. Significa parar de deixar aquela história antiga definir suas escolhas de hoje.

E o terceiro passo é a repetição consciente de novos valores e princípios exatamente como vimos no artigo sobre neuroplasticidade (https://www.xn--emoaoerazao-o9a.com.br/neuroplasticidade-transforme-sua-vida-e-mude-habitos). Você decide, conscientemente, quais valores quer que guiem sua vida daqui para frente, e começa a agir de acordo com eles repetidamente, mesmo quando isso contraria o que você aprendeu a considerar normal.

E aqui vale esclarecer a relação entre três conceitos que costumam gerar confusão: valores, princípios e identidade. Valores são aquilo que você acredita ser importante honestidade, família, fé, liberdade.

Princípios são as regras de comportamento que nascem desses valores se o valor é honestidade, o princípio é "eu não minto, mesmo quando é difícil". E a identidade é a camada mais profunda de tudo isso: é quem você realmente é quando vive esses valores e princípios de forma consistente, inclusive quando ninguém está olhando. Valores e princípios são os alicerces. Identidade é a construção inteira, erguida sobre eles ao longo do tempo.

Ou seja, quando você muda conscientemente seus valores e passa a viver de acordo com novos princípios mesmo que isso signifique romper com padrões absorvidos na infância você está, literalmente, reconstruindo sua identidade.

Você não escolheu as experiências que viveu quando criança. Mas, como adulto, você pode escolher quais crenças manter e quais reescrever. A identidade formada aos quatro anos não precisa ser a mesma que te define aos quarenta.

Se esse artigo te ajudou a entender melhor a origem da sua própria identidade, compartilha com alguém que também está no processo de se reconstruir.