Consciente e Inconsciente: A Diferença Entre o Novo e o Automático
Descubra a diferença entre consciente e inconsciente através de um exemplo prático de aprender a dirigir. Entenda como reprogramar padrões antigos e a importância do esforço mental no aprendizado. Aprenda a transformar sua identidade e a superar barreiras mentais.
Giovani Campregher
9/25/20263 min read


Já vimos, em outros artigos, por que sabemos o que precisa ser feito mas não fazemos, e como criar um mural de identidade para reprogramar padrões antigos. Agora vamos entender de um jeito ainda mais simples e didático a diferença entre consciente e inconsciente, usando um exemplo que praticamente todo mundo já viveu: aprender a dirigir.
Quando você começa a dirigir pela primeira vez, tudo exige atenção total. Onde está o pedal da embreagem, como engatar a marcha, quando olhar pelo retrovisor, como calcular a distância do carro da frente. Cada movimento precisa ser pensado, decidido, executado com esforço consciente. Por isso dirigir, no início, cansa tanto o cérebro está processando uma quantidade enorme de informação nova ao mesmo tempo, sem nenhum atalho automático para usar.
Isso é o consciente em ação: tudo que fazemos pela primeira vez, tudo que ainda não dominamos, exige esforço mental direto e gasta muita energia.
Mas alguns meses depois, dirigindo todos os dias, algo muda. Você entra no carro, liga, engata a marcha, checa o espelho, tudo sem nem perceber que está fazendo. Às vezes chega ao destino e nem lembra direito do trajeto, porque o cérebro já transformou aquela habilidade em automática. A neurociência confirma exatamente essa transição: a aquisição de uma nova habilidade está associada a uma redução progressiva na necessidade de controle consciente, num processo chamado automaticidade. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles mostraram, através de exames de imagem cerebral, que à medida que uma habilidade se torna automática, a atividade em regiões cerebrais ligadas ao esforço consciente diminui enquanto estruturas mais profundas do cérebro assumem a execução da tarefa.
Isso é o inconsciente em ação: tudo que já repetimos tantas vezes que não precisamos mais pensar conscientemente para executar.
Esse mesmo princípio se aplica a praticamente tudo na vida e claro, não só a dirigir. Quando você começa a estudar um assunto novo, gasta muita energia mental. Quando começa a mudar um comportamento, como parar de reagir com raiva, começar a se exercitar, aprender a colocar limites, o esforço consciente no início é grande, porque é tudo novo. Mas conforme você repete esse novo padrão, com intensidade emocional e ao longo do tempo, ele vai deixando de exigir esforço consciente e passa a se tornar parte do seu comportamento automático ou seja o seu inconsciente.
E aqui está o ponto mais importante: o que você pratica repetidamente, seja bom ou ruim, se torna automático. Um hábito saudável repetido durante meses se torna tão automático quanto um hábito prejudicial repetido pelo mesmo tempo. O cérebro não escolhe se aquilo é bom ou não para você ele apenas grava o que é repetido com consistência.
Isso explica por que mudar é difícil no início e mais fácil depois. A dificuldade inicial não significa que você é incapaz significa apenas que você está na fase consciente do aprendizado, a mais exigente de todas. Se você persistir, com o tempo aquilo que hoje exige esforço vai se tornar tão automático quanto dirigir.
E como aplicar isso na prática? Da próxima vez que estiver tentando construir um novo comportamento e sentir que está cansativo, frustrante ou difícil demais, lembre-se: isso é esperado. Você está na fase consciente. Ninguém aprende a dirigir sem esforço nos primeiros dias. O mesmo vale para qualquer mudança de comportamento que você está tentando construir agora. A repetição consistente é o que transforma o que hoje exige esforço consciente no que amanhã será automático e natural.
Você não precisa ( e nem vai ) ter tudo automático desde o primeiro dia. Precisa apenas continuar repetindo, porque é exatamente assim que o cérebro transforma esforço em automatismo, e automatismo em identidade.
Se esse artigo te ajudou a entender melhor essa diferença, compartilha com alguém que está no meio de uma mudança difícil agora e precisa saber que isso é só uma fase.
