Autorresponsabilidade: cuide do que importa para você

Entenda como a autorresponsabilidade ajuda você a proteger o que é importante, agir com inteligência emocional diante de imprevistos e investir no desenvolvimento pessoal.

Giovani Campregher

10/30/20262 min read

Imagine a seguinte situação: você marca um exame médico importante com dois meses de antecedência. No dia marcado, ao chegar, descobre que houve um erro no sistema e o agendamento simplesmente não foi confirmado. Frustração, discussão com a atendente, estresse, tudo isso é absolutamente compreensível, ainda mais se envolve uma preocupação real com a saúde, mas essa situação hipotética abre espaço para uma reflexão importante sobre autorresponsabilidade: de quem é o interesse real naquele exame? Do hospital, ou da pessoa que precisa dele?

Como já vimos em outro artigo sobre autorresponsabilidade, o conceito central é simples: independente de quem errou primeiro, a responsabilidade de proteger o que é importante para você é sua. Isso não significa que erros de sistema, falhas de terceiros ou situações fora do nosso controle não aconteçam, eles acontecem, e são reais, significa que existe uma diferença entre esperar passivamente que tudo dê certo e acompanhar ativamente aquilo que importa para nós.

Reflita comigo: quando marcamos algo com dois meses de antecedência, existe uma janela enorme de tempo em que qualquer erro de sistema poderia ser identificado e corrigido mas apenas se houver acompanhamento ativo. Uma mensagem de confirmação um mês antes, outra, duas semanas antes e mais uma última, na véspera. Esse tipo de verificação simples transforma um possível erro descoberto na hora que vai gerar estresse, discussão e atraso em um erro descoberto com antecedência, dando tempo real para resolução sem desgaste.

Isso não tira a responsabilidade do sistema quando ele falha. Falhas de agendamento acontecem, e instituições precisam se responsabilizar por seus próprios erros. Mas existe uma diferença entre reconhecer a falha alheia e usar essa falha como desculpa completa, sem refletir sobre o que também estava ao nosso alcance fazer para evitar ou minimizar o problema e aqui está o ponto mais importante dessa reflexão: quando colocamos toda a responsabilidade no sistema, no outro, na circunstância e não paramos para avaliar o que também estava sob nosso controle acabamos perdendo a chance de aprender algo que evitaria a mesma situação se repetir no futuro. Como já vimos no artigo sobre autorresponsabilidade, culpar exclusivamente fatores externos nos tira o poder de mudar o próprio padrão. Se a pessoa nunca refletir sobre a importância de confirmar compromissos importantes com antecedência, é provável que viva situações parecidas novamente e acabe sempre atribuindo a culpa a fatores externos, sem nunca ajustar o próprio comportamento.

Autorresponsabilidade, nesse contexto, não é sobre assumir culpa por erros que não cometemos. É sobre reconhecer que, quando algo é genuinamente importante para nós, cuidar ativamente disso ao invés de depender inteiramente de terceiros para que tudo saia certo acaba sendo uma prática que evita desgastes desnecessários e nos coloca no controle da nossa própria vida.

E como aplicar isso na prática? Para qualquer compromisso importante sejam exames, entrevistas, viagens, reuniões sempre reserve tempo para um pequeno hábito de confirmação prévia. Uma mensagem simples, alguns dias ou semanas antes, perguntando se está tudo certo. Esse gesto simples custa pouco tempo e pode evitar frustrações muito maiores no momento em que menos podemos lidar com imprevistos.

O sistema pode falhar. Mas a forma como cuidamos do que é importante para nós está, na maior parte das vezes, em nossas próprias mãos.

Se esse artigo te fez pensar em algum compromisso importante que você poderia acompanhar mais de perto, compartilha com alguém que também vive descobrindo problemas em cima da hora.